sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
CONFLITOS
Aparentemente uma rotina tranquila.
Num ímpeto, num momento.
Tudo se transcende.
Se renova!
Se torna indefinida...
Num repente,
num momento...
Que fazer diante do desconhecido?
Do improvável,
do inesperado esquecido...
Sendo que quem já conheceu a felicidade
não mais aceita, pelo menos sem lutas...
Humildemente a tristeza.
Importante então é buscar sem cessar...
Apenas não desistir de buscar...
INTIMIDADE
Gestos leves... quase um balé...
Em momentos bruscos!
Corpos que se buscam no espaço.
Reflexo da alma!
Concretização das emoções.
Emoções a flor da pele!
Flor de lótus...
Mistura de beleza e quase dor.
Busca frenética de chegar ao final
de um caminho...
Caminho almejado
mas desconhecido.
Eis que em volúpia se buscam...
Se acham...
e os corpos já cansados
repousam embriagados
do êxtase de viver.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
MANIFESTO ACADÊMICO
QUEM FOI RODRIGUES DE ABREU
« 27 de setembro de 1897 - Capivari SP † 24 de novembro de 1927 - Bauru - SP
VIDA
Benedito Luis Rodrigues de Abreu nasceu na fazenda "Picadão". Aos 7 anos passou a morar em Piracicaba, onde começou os estudos em "escola de sítio". Aos 12 anos, foi para S. Paulo com a família, e morou no Brás, depois na Vila Buarque. Neste bairro passou a trabalhar em uma farmácia com entregas a domicílio, até ser internado no "Liceu Coração de Jesus", para aprender uma profissão. Em 1918 voltou com a família para Capivari onde trabalhou na Caixa de Crédito Agrícola.
O contato com a poesia aconteceu no colégio. Abreu aprendeu métrica lendo Simões Dias e sua 1° composição, de acordo com amigos foi: "O Famélico". Para esta obra se inspirou no "Pedro Ivo" de Castro Alves.
As obras mais antigas do poeta capivariano foram descobertas pelo prof. Carlos Lopes de Mattos. Elas eram intituladas: "O Caminho do Exílio" e "A Virgem Maria", ambas publicadas na revista "Ave Maria", em 1916. Em Capivari os poemas dele eram publicados nos jornais locais "Gazeta de Capivari" e "O Município".
O seu livro de estréia deveria ter sido "Folhas", que foi submetido à apreciação de Amadeu Amaral, que se referiu assim à obra: "Depois de Olavo Bilac e Martins Fontes, é o melhor livro de estréia que tenho visto". Contudo, devido a dificuldades de publicá-lo e levado pelo interesse de seu primeiro editor (Amadeu Castanho, redator da "Gazeta de Piracicaba") de publicar o que o jovem escritor desejasse, antes de "Folhas" surgiu "Noturnos", de junho de 1919, mas que tudo indica seja de junho de 1921.
Trabalhou com Amadeu Amaral em "A Cigarra", em S. Paulo, em 1921 onde participou da Semana de Arte Moderna de 1922. Em 1922 foi para Bauru. Dois anos depois foi internado em Campos do Jordão (tuberculose). É nessa época que lança "A Sala dos Passos Perdidos" e passa a assinar "Rodrigues de Abreu" por sugestão de Amaral. Em 1925 mudou-se para S. J. dos Campos, viveu até 1927. Surge então, "Casa destelhada".
Em maio foi para Atibaia e retornou a Bauru onde feleceu, devido à doença. Alguns atribuem o agravamento da tuberculose ao rompimento do noivado.
LOCAIS DE VIDA/VIAGEM
São Paulo, Cachoeira do Campo (MG), Lavrinhas e Piracicaba
CURIOSIDADE
Além de poeta, Abreu era orador talentoso, grande ator e desportista. Foi centro-avante do "Capivariano F.C.", para o qual compôs o hino oficial. Ele fundou o "Grêmio Literário e Recreativo de Capivari", grupo que encenou "Capivari em Camisola" (versos de Rodrigues de Abreu). Doente desde 1924, Abreu já confessara o desejo de "ser tuberculoso". Segundo ele, esse era o mal que geralmente acometia os grandes poetas do passado.
MOVIMENTO LITERÁRIO
Romantismo (terceira geração)/Modernismo (primeira geração)
UM POUCO MAIS DE AMADEU AMARAL
Nas décadas seguintes trabalhou como redator de vários periódicos, entre os quais Comércio de São Paulo, Correio Paulistano, A Farpa, Gazeta de Notícias, O Estado de S. Paulo e A Vida Moderna.
Seu primeiro livro de poesia, Urzes, foi lançado em 1899.
Foi um dos fundadores da Academia Paulista de Letras, em 1909, e da Sociedade de Cultura Artística, em 1912. Em 1916 criou a Revista do Brasil, com Pereira Barreto e Júlio Mesquita, entre outros. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, em 1919. Entre 1920 e 1921 publicou as obras sobre folclore O Dialeto Caipira e A Poesia da Viola.
No período fundou, com Paulo Duarte, a Sociedade de Estudos Paulistas, para pesquisa do folclore brasileiro. Sua obra poética inclui os livros Névoa (1910), Espumas (1917) e Lâmpada Antiga (1924). Em 1977 foram publicadas suas Poesias Completas.
A poesia de Amadeu Amaral costuma ser definida pela crítica como parnasiana; entretanto, o crítico Sérgio Milliet escreveu que seus “versos serenos, sem rebuscamentos de rimas, de uma flexibilidade rítmica estranha para a época, colocava o poeta longe dos neoparnasianos vazios, integrava-o na categoria muito aceitável para nós dos neo-românticos e até dos neo-simbolistas”.
Amadeu Amaral
Autodidata, surpreendeu a todos por sua extraordinária erudição, num tempo em que não havia, em São Paulo, as universidades e os cursos especializados que vieram depois. Dedicou-se aos estudos folclóricos e, sobretudo, à dialectologia. No Brasil, foi o primeiro a estudar cientificamente um dialeto regional. O dialeto caipira, publicado em 1920, escrito à luz da lingüística, estuda o linguajar do caipira paulista da área do vale do rio Paraíba, analisando suas formas e esmiuçando-lhe sistematicamente o vocabulário. Visando à formação dos jovens, assim como Bilac incentivara o serviço militar, Amadeu Amaral procurou divulgar o escotismo, que produziu frutos, no Brasil, até ser posteriormente posto de lado.
Sua poesia enquadra-se na fase pós-parnasiana, das duas primeiras décadas do século XX. Como poeta, não estava à altura de seus dois predecessores, Gonçalves Dias e Olavo Bilac, mas destacou-se pelo desejo de contribuir, com suas obras, para a elevação de seus semelhantes, em todas as suas obras, a ponto de seu sucessor, Guilherme de Almeida, ao ser recebido na Academia, ter intitulado o seu discurso: "A poesia educativa de Amadeu Amaral", não porque tenha colocado em verso aos regras gramaticais ou os princípios de moral e cívica, mas porque visava indiretamente ao aperfeiçoamento humano.
Por ocasião do VI centenário da morte de Dante, proferiu, no Teatro Municipal de São Paulo, uma conferência, enfatizando justamente os aspectos de Dante que exaltam a elevação do espírito humano através da Sabedoria. Também soube ressaltar as qualidades morais de Bilac no seu discurso de posse, mostrando-o não apenas como um boêmio freqüentador da Confeitaria Colombo, mas como homem preocupado com os problemas da sua pátria e escritor que evoluiu em sua poesia para um grau maior de espiritualidade.
Obras:


